A Política da Felicidade

“The Politics of Happpiness” – a Manifesto é um texto, resultado de uma pesquisa que o coletivo Demos Helsinki conduziu com o apoio da WWF.

politics of happiness

“A política da felicidade é uma nova abordagem política para aqueles que acreditam que a arena política deve assumir um novo curso para construir uma vida mais feliz. O nosso modelo social atual não é capaz de produzir um futuro feliz para as gerações vindouras.”

Eles acrescentam que a política em si não pode nos fazer felizes, o que ela pode, sim, é fazer a nossa busca pela felicidade mais fácil e, até mesmo, mais possível.

Já li e reli esse texto algumas vezes (desde que o descobri em 2012 pouco antes de viajar á Finlândia) e cada vez que leio descubro algum trecho que me encanta mais e me pergunto o que precisa ser feito para que os governos do mundo todo leiam e tomem algumas decisões baseadas nessa política.

O Manifesto traz os 5 valores por trás da Política da Felicidade:

1. A política de felicidade é a política de 1 planeta. Nós estamos usando os recursos naturais excessivamente e sabemos que isso não pode continuar.
2. A política da felicidade é uma abordagem intergeracional. Ela difere da política atual, onde o foco está em se esforçar para o bem estar de curto prazo através do crescimento econômico.
3. Tempo, senso de comunidade e significância (o sentido de que as coisas têm um significado) são recursos vitais. A política da felicidade questiona a posição do crescimento econômico como o objetivo final da nossa sociedade.
4. Felicidade sustentável é baseada em experiências compartilhadas. Responsabilidade para a sociedade só é possível através de experiências conjuntas. Compartilhar responsabilidades é o objetivo dessa política.
5. A política de felicidade se baseia em dados científicos. Ele pode ajudar a fazer a ponte entre os resultados da investigação e a política.

E os 5 pressupostos da Política da Felicidade são:

1 – Melhor tempo livre
Cenário: Em um mundo que gira em torno de trabalho e renda, a corrida do consumo não tem linha de chegada. A pressão para aumentar a nossa capacidade de consumir ainda domina nosso tempo livre, o qual é gasto comprando coisas.
Nossas vidas estão divididas entre o trabalho e o tempo livre, ou, ganhar dinheiro e depois gastar o dinheiro que conseguimos. Não há espaço para um verdadeiro tempo livre.
Proposta: Sistema de impostos que favoreçam mais férias em vez de renda adicional; estabelecimento pelo Governo de um “Fundo de Tempo” que estimule os cidadãos a participarem de atividades voluntárias e cívicas através do oferecimento de folgas proporcionais ao engajamento com essa cultura de voluntariado; os bens de consumo devem indicar nos seus rótulos informações sobre seus ciclos de vida de forma que os consumidores possam fazer escolhas mais conscientes.

2 – De espaços para lugares significativos
Cenário: As pessoas querem viver de acordo com seus sonhos. A estrutura social e as cidades falham em oferecer espaços de convivência capazes de promover oportunidades de socialização. A falta de espaços públicos de qualidade também resulta em menos encontros de qualidade entre as pessoas. Atualmente, o espaço público nos coloca em rota de colisão com as pessoas com as quais temos pouco em comum, e áreas residenciais não são planejadas com o bem-estar e felicidade em mente.
Proposta: o ambiente urbano deve ser planejado e desenvolvido com foco nos usuários desses espaços; os espaços públicos como escolas, escritórios e bibliotecas devem ter seus períodos de uso ampliados permitindo o aumento, também, do número de usuários; os designers de espaços públicos e privados devem ser afixados no local incentivando o reconhecimento de planejadores urbanos que criam espaços positivos.

3 – Fazendo coisas significativas juntos
Cenário: Enquanto os cidadãos têm fé na democracia como o melhor sistema possível para a sociedade, a confiança na política e sua própria capacidade de influência está diminuindo. Isso também tem um impacto negativo sobre a felicidade. Ao mesmo tempo, interesse em votar e confiança na competência dos governantes estão cada vez mais fracos. Uma das razões para esta crise é a tendência de profissionalização da política e das instituições e uma sensação de crescente distância entre os políticos e a atividade cívica. Restaurar a confiança na política requer que a política, mais uma vez, comece a partir de pessoas fazendo coisas juntas.
Proposta:  o sistema educacional tem um papel importante em incentivar mais ações cívicas e de engajamento e participação em atividades de interesse coletivo; os funcionários públicos mais do que ser categorizados em áreas e funções devem cumprir o papel de facilitadores de problemas difíceis e sistêmicos que os cidadãos por conta própria não conseguem resolver; as Forças Armadas Nacionais são transformadas gradualmente em um Acampamento Cívico para Todos, no qual são desenvolvidas habilidades de trabalho coletivo, produzidos novos grupos funcionais e pessoas de diferentes grupos demográficos são colocadas juntas.

4 – A cultura do bem estar
Cenário: O dinheiro gasto em cuidados de saúde não se correlaciona com a saúde e bem-estar. Os investimentos adicionais em saúde não aumentam a expectativa de vida. A mesma falta de relação causal pode ser vista entre os investimentos em saúde e felicidade. Estudos indicam que a saúde percebida relaciona-se com a igualdade social e confiança. Por exemplo, existe uma relação entre o nível irregular de rendimentos e a prevalência de várias desordens psicológicas.
Proposta: o setor público deve oferecer diferentes formas de orientação e guiança para as pessoas poderes fazer escolhas mais sensatas no que diz respeito ao nível nutricional dos alimentos, por exemplo; os funcionários públicos que se deslocarem de bicicleta para o trabalho devem receber benefícios e os carros particulares para funcionários públicos devem ser restritos a viagens de trabalho; a Política de Saúde deve enfatizar a qualidade de vida e os tratamentos médicos com o objetivo estrito de prolongar a vida do paciente devem ser questionados.

5 – Amigos, vizinhos e família
Cenário: Estudos recentes indicam que a exclusão social e a marginalização estão intimamente ligadas à solidão: indivíduos solitários tendem a ser mais propensos a desenvolver distúrbios de saúde mental, a exposição a riscos de saúde e dificuldades financeiras. A solidão é a falta de oportunidades para fazer coisas com os outros. Os fatores que contribuem para a solidão incluem o aumento do número de pessoas que vivem por conta própria, o mundo do trabalho cada vez mais duro, casamentos cada vez mais curtos e o modelo de família restrito à família nuclear.
Proposta: adoção de sistema de tributação que cobre de acordo com o grau de utilização do espaço, entendendo que através da partilha de espaço a sua utilização torna-se mais barata para indivíduos e corporações; onde há crianças não devem haver carros, ambientes urbanos mais amigáveis para crianças e famílias ajudam a evitar a dispersão da estrutura social e a degeneração das comunidades próximas, a expansão do conceito de família para além da família nuclear deve ser estimulada através de sistemas que permitam que pais e mães cuidem de crianças e idosos para que outras famílias possam trabalhar.

Dada a situação política do Brasil decidi reler novamente e traduzir aqui alguns dos pontos que considero mais relevantes.

Torço e trabalho, dia após dia, por uma vida mais feliz, para todos.

Link para download do texto completo em pdf (em inglês):
 http://www.demoshelsinki.fi/en/julkaisut/politics-of-happiness-a-manifesto-2/

Seguimos.

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