Ano novo, vida nova

Hummm

Não sei o quanto a vida é nova, mas os ânimos estão renovados para mais esse ciclo que se inicia.

Passei esses primeiros dias úteis do ano fazendo uma organização geral nos arquivos do computador, especialmente imagens e escrevendo esse post (prepara que é longo).

Vendo tantas fotos, tantas pessoas, tantos momentos marcantes… dei-me conta (mais uma vez) o quanto esse blog é importante para mim e talvez tenha sido para outras pessoas.

Não precisaria ter esperado virar o ano para eu decidir voltar a rotina de cuidar do blog, mas já que 2016 chegou nada mais apropriado do que voltar com força total e, por isso, separei 12 coisas que fiz em 2015 e me fazem sentir mais fortalecida para esse novo ano.

1. eu te amo

Estou em um relacionamento desde março de 2014 com o Roberto, como nos conhecemos rende uma novela mexicana (e eu contei de forma tangencial aqui), mas o foco é outro.
Depois de quase um ano de namoro eu sentia aquela insegurança de “o quanto estamos realmente juntos?”. Namorar à distância (Santos/São Paulo não é tão pertinho, nem vem!) é bem difícil às vezes.

Daí, como uma boa “inventadora” que sou, criei um enigma com perguntas as quais quando respondidas formavam a frase “eu te amo”. Foi bonitinho! Ele teve dificuldades com algumas perguntas, mas no final deu tudo certo.
Para além de dizer “eu te amo”, vivemos vários momentos bastante importantes em 2015, coisas pequenas, simples, mas que nos apoiam na construção do tipo de relacionamento que queremos viver.

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Sobre relacionamentos indico muito os textos do Gustavo Gitti na revista Vida Simples, sou muito fã:
http://vidasimples.uol.com.br/noticias/pensar/nao-vai-dar-certo.phtml#.VorPtfkrLIV

2. acampar

28 anos na cara e nunca tinha acampado na vida. Vamos parar com essa pouca vergonha! Incentivada pela Nati, Roberto e um grupo de amigos fomos passar o carnaval na Juréia.
E lá fomos nós!
Confesso que não montei a barraca sozinha e na primeira noite dormindo lá qualquer grilo parecia um elefante aos meus ouvidos! hahaha, mas foi incrível!
Fomos recebidos na casa dos avós de uns amigos, caiçaras tradicionais. Comemos a farinha de mandioca preparada por eles, fomos colher frutas nas árvores da mata, fizemos trilhas com paisagens deslumbrantes, dançamos fandango, foi tudo muito especial!

Para saber mais sobre a Juréia: http://www.ambiente.sp.gov.br/e-e-jureia-itatins/sobre-a-estacao/

3. a perda

Eu e Mari adotamos um coelhinho em setembro de 2014, o Lennon.
Ele passou por períodos mais tranquilos e outros mais agitados em que ficava agressivo e mordia. Mas como coelho é um animal que interage pouco ficávamos na dúvida do que estava acontecendo e o que podíamos fazer diferente. Tentamos algumas técnicas e achamos que estava tudo bem. Não estava.
Em um final de semana de abril que vim à São Paulo ele morreu. Mari chegou em casa e ele estava morto, no chão da cozinha.
Não consigo imaginar a cena e lembro da tristeza quando ela me deu a notícia por telefone.

A sensação de impotência e a dúvida “e se eu tivesse percebido que ele não estava bem? será que quando ele fez aquilo era porque estava mal?…” são arrasadoras. Aos poucos a tristeza foi passando e quando lembramos dele sentimos alegria e gratidão por ele ter nos aceitado como mães, mesmo que por alguns meses.

Lennon

4. ponto cruz

Decidi que já era hora de voltar a bordar, mais de um ano parada e o último bordado tinha sido uma toalha de banho sem muitos detalhes, quase uma vergonha.

Num sábado de folga fui na loja com a revista em mãos e comprei as linhas. Minha meta era bordar três tulipas até o final de 2015 (um botão, a flor se abrindo e a flor aberta). Cumpri um terço da meta com uma flor bordada.
Ponto cruz me ajuda muito a exercitar a paciência e concentração. Quando comento com as pessoas que bordo muitas dizem: “ah, eu não tenho paciência pra isso!” e minha resposta sempre é: “eu também, não! estou praticando!”. =)

Quem quiser aprender, recomendo essa aula básica do Superzíper (site bacanudo com muitas inspirações e referências na arte do faça você mesmo de costuras, bordados e tudo que envolva tesouras e botões! eu adoro!): http://www.superziper.com/2011/04/clube-do-ponto-cruz.html

5. cultivar

um dos projetos comunitários que apoiei esse ano foi uma horta comunitária. Só o nome já é lindo: Horta Comunitária Bons Frutos.

Acompanhando o grupo de mulheres me reconectei com a terra, com minha infância ajudando meus pais a cuidar da horta de casa em Santa Maria, aprendi muito sobre chás e ervas (o que é bom para quê), reconheci e valorizei cada gota de suor daquelas mulheres para fazer uma área cheia de entulho se transformar em terra fértil.

na horta

Essa experiência me trouxe ainda mais forte à consciência a importância do respeito com a natureza, os ciclos naturais que vamos  alterando devido nosso estar no mundo, afetamos o clima, afetamos o solo e afetamos as relações entre as pessoas que vão se deteriorando como consequência dos outros impactos.

Nesse programa tu podes assistir um pouquinho sobre a horta e outros projetos comunitários que o Instituto Elos (onde eu trabalho) apoiou nos últimos dois anos: http://globoplay.globo.com/v/4708357/

6. pós-graduada

Iniciei a pós graduação em dinâmica dos grupos da SBDG em outubro de 2013. Desde 2011 esse curso estava na minha lista. Foi uma experiência muito interessante: aprender sobre formação de grupos, como “ler” as atitudes/comportamentos dos membros no grupo, entender os estágios de desenvolvimento, enfim, muito bom.

Mas, com certeza desses 18 meses de curso teve duas coisas muito especiais (para além dos insights em cada encontro mensal!): a amizade da Cláudia, que fomos cultivando ao longo desse tempo e se transformou em uma parceria incrível na elaboração do artigo final e, escrever o artigo final sobre uma formação do Elos – GVT na Praça em Santos (maio/junho de 2015).  Foi demais!

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A SBDG está com inscrições abertas para novas turmas em SP, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e outras cidades, confere aqui: http://www.sbdg.org.br/web/
Recomendo muito para quem trabalha com facilitação de grupos.

7. conversas significativas

Para algumas pessoas é fácil expressar o que elas sentem através da fala. Para mim, nem tanto. Falar do que me faz feliz, do que me alegra é muito fácil. Mas falar sobre o que me deixa triste, o que me irrita, o que me frustra, etc. é bastante difícil às vezes.

Escolhi cuidar de algumas relações esse ano, amizades, parcerias de trabalho, e pedi ajuda para poder conversar com essas pessoas e falar sobre os sentimentos angustiantes que estava vivendo na minha relação com elas.

Foi (e continua sendo) um exercício dolorido de voltar o olhar pra dentro de mim e buscar os motivos pelos quais esses sentimentos afloram: “Por que quando ela faz isso eu me sinto assim?” “O que essa fala dele me faz reviver momentos ruins que já passei?”…

Expressar o que eu sinto abre um espação enorme dentro de mim, um espaço de alívio, de “ufa, dessa vez eu não guardei tudo aqui dentro, só pra mim!”.

Nessas conversas me conectei muito com os conceitos e práticas da Comunicação Não-Violenta e um vídeo que me inspira muito é esse da Brene Browm sobre empatia:
https://www.youtube.com/watch?v=4pADHGRNgbI

8. bioenergética

Fazia tempos que eu queria voltar pra terapia. Eu sabia que acabando a pós sobraria a bendita grana pra pagar uma horinha semanal de cuidado comigo mesma.

E tem sido muito importante voltar pra terapia. Experimentando uma técnica nova, a bioenergética, com uma terapeuta que admiro muito.

Desde 2014 tenho uma alergia na mão, a qual tentei tratar com alopatia, homeopatia, remédios naturais, e nada adiantou. E toda vez que eu ficava mais ansiosa, nervosa, triste, brava, a alergia piorava. Nem sei porque estou conjugando o verbo no passado, pois a alergia continua aqui. Mas iniciei o ano confiante de que ela vai sarar, graças à terapia (e os mergulhos de cabeça lá nas minhas profundezas que ela me proporciona) e esse olhar para os reflexos dos meus sentimentos (alegrias e dores emocionais) no meu corpo.

Se tu quiser saber mais sobre bioenergética leia esse texto, é curtinho e bem esclarecedor: http://namaste.com.br/pt/bioenergetica/

9. mãe de canina

Sabe um amor tão grande, mas tão grande, tão grande, tão grande e tão forte que chega a doer de tanto que tu ama?
Esse é meu amor pela Pérola Negra. Uma vira-lata adotada por mim e pela Mari em agosto de uma veterinária (tia Rúbia) de São Vicente, que resgatou nossa filhota da Zoonoses e a tratou com muito carinho e cuidado para que ela sobrevivesse, pois estava muito debilitada.

A Pérola me enche de alegria e orgulho, quando passeia pela rua comportadinha, quando brinca com os outros cachorros (pode ser grande, pequeno… ela é destemida!), quando vai correndo no quarto e pega minha meia, volta pra sala e finge que nada aconteceu, quando senta pra esperar que joguemos a bolinha, quando faz barulhinho enquanto come maçã, quando deita aninhada nas minhas pernas, quando faz cara de alegria e se posta do lado da correntinha assim que me ouve falar: “Vamos passear?!”.

Mas também tem momentos difíceis, ela castrou em dezembro e no primeiro curativo que fui fazer nos pontos ela estava totalmente inquieta! Eu não conseguia segurá-la e ela não parava de me morder. Chorando de desespero conversei com ela e pedi que me ajudasse. Foi um momento muito emocionante. Ela se acalmou um pouco e consegui fazer um curativo meia boca.

Pérola Negra é a mais bela das belas, a filhota canina da mãe Mari e da mãe Clarissa.
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Uma das inspirações pro nome dela é: https://www.youtube.com/watch?v=qOGdi1WUahE

10. deslumbrar-se

Algumas pessoas me chamam de deslumbrada, que eu vejo uma florzinha e grito: “Ai, que linda!”. Tudo é o máximo pra mim, é incrível, mágico!
E é mesmo. Acho que mantenho minha criança bastante forte nesse sentido. Adoro me encantar com coisas simples e bobas.

Vou contar uma experiência que me deixa deslumbrada.
Estava em Itanhaém, lá na praça do Centro Histórico.
Parei em frente a uma estátua e perguntei: “Quem é você?” Chegando mais perto li a inscrição na placa: “Você não precisa saber quem sou.”

Achei demais! =D

Roberto falou que fizeram um seriado para mim, a deslumbradinha, é Unbreakable Kimmy Schmidt do Netflix (é bobinho, mas beeeem engraçado):
https://www.youtube.com/watch?v=Hl4bOuGNMwo

11. careca

Depois de tentar deixar o cabelo crescer, cortar, pintar e me esforçar muito para me reconhecer bonita e feliz com cabelo decidir raspar de novo.

É incrível como não ter cabelo me ajuda a me ver mais claramente e resgatar o feminino que tenho em mim. Me sinto mais confiante, mais forte sem cabelo. E, claro, adoro sentir o vento, a água e o cafuné na careca.

Lembro que minha decisão de raspar o cabelo em 2013, pela primeira vez, foi muito motivada pelo paradigma de que mulher bonita é mulher com cabelo longo.

foto do fb
Eu sinto muito pelas mulheres que não tem a opção de ter cabelo curto ou comprido e passam por um processo que as obriga a raspar a cabeça.

Muitas pessoas me perguntam como tive coragem de cortar o cabelo assim. Não é uma questão de coragem.
Coragem eu precisei quando fui morar em Santos, com uma mão e outra atrás, e dormi no sofá de um amigo por 3 meses, ou, quando conversei abertamente com meus pais sobre o abuso que sofri por anos na infância, ou, quando decidi falar sobre esse mesmo abuso para meu namorado. Coragem eu precisei para escrever essas linhas aí de cima.

Para raspar a cabeça eu só preciso assumir pra mim mesma que vou ter que bancar os olhares, que vou ter que bancar “ser diferente” (na esperança de que isso mude um dia), porque acredito que nós mulheres temos o direito de sermos felizes com o nosso corpo independente do que desejamos fazer com ele: seja tatuar, raspar a cabeça, usar batom vermelho, saia curta…

Eu raspo a cabeça porque eu me sinto bem assim, me sinto à vontade com o meu corpo e com quem eu sou, sendo careca.

12. canto

Em 2008 trabalhei numa escola de música em Santa Maria e acabei fazendo aulas de canto. (Tá bom, confesso que um dos meus sonhos de adolescência era ter uma banda, fazer shows e tal).

Eu adorava! Sabia que tinha um tanto de dificuldade para fazer a voz sair com intensidade (afinadinha até que sou) e potência, mas nem me importava, seguia lá, firme e forte.

Desde que saí de Santa Maria essa história de cantar ficou pra trás e tirando as cantorias de chuveiro nunca mais voltei a praticar.

Até que em julho decidi (junto com outros amigos) fazer uma serenata de feliz aniversário pra Mari cantando La Complicidad da Perota Chingó (https://www.youtube.com/watch?v=z8ObDV93pPU) e no Show de Talentos do Elos (parte da nossa celebração de final de ano) resolvemos reviver a Banda Elas (Ari, Nati, eu e Rodrigo) e cantamos duas músicas: Bizarre Love Triangle na versão da Frente e Cara Valente da Maria Rita.
Foi muito legal! Nossa meta para 2016 é levar essa história a sério, ensaiar, ter aulas de canto…
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ano novo, vida nova, post novo e, mais do que a promessa, a certeza de que escrever me faz muito bem e tá na hora de voltar à ativa.

Nos vemos (mais, muito mais) em 2016.

Clarissa

 

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3 pensamentos sobre “Ano novo, vida nova

  1. Pingback: um belo dia resolvi mudar… | 123 e foi!

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