A vitória nossa de cada dia

Desde o último post muita coisa aconteceu.

Talvez essa frase poderia ser usada no começo de todos os posts (desde que esse blog nasceu), porque se uma coisa não faz parte da minha vida, com certeza, é monotonia.

Mas quando escolho começar esse post com “muita coisa aconteceu” é porque foi muita coisa e todas elas muito importantes (nos mais variados níveis).

Assisti filmes muito bons (Clube de Compras Dallas, Ela, Hoje eu quero voltar sozinho, Uma viagem extraordinária…), descobri novas músicas (Feliz pra cachorro é a queridinha do momento) fui no show do Lenine (o primeiro de muuuuitos), meu sobrinho completou 10 anos, minha sobrinha completou 21, estou aprendendo a gostar do meu cabelo em fase de crescimento… um tanto de coisa.

Mas acho que três coisas foram as mais marcantes:

1) Meu sonho de trabalhar no Instituto Elos  se materializou!
Desde 12 de março trabalho em um projeto que apóia comunidades da baixada santista no processo de desenvolvimento social/territorial.
Tem sido uma experiência incrível, tanto com a galera das comunidades, quanto com o pessoal do escritório que eu já conhecia e admirava super. Tem dias que volto pra casa com um sorriso bobo de felicidade… “Gracias a la vida que me ha dado tanto.”
Poder ir a pé pro trabalho (e chegar lá em 15minutos), ganhar abraços e desenhos das crianças, conhecer histórias de superação, de alegrias, de aprendizados…
Me ha dado la marcha de mis pies cansados,
Me dio el corazón que agita su marco,
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
Gracias a la vida, gracias a la vida.”

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A equipe mais bonita da cidade! (: Foto: Nati Dittmar

2) Facilitei um evento sobre educação com o pessoal do Edu on Tour em São Paulo – o Education Hackaton – e foi super legal!
Quase 50 pessoas reunidas numa tarde de sábado para pensar/discutir e planejar uma educação transformadora! Foi muito divertido e inspirador e o dia teria terminado perfeito se eu não tivesse ido parar no hospital.No melhor estilo “no meio do caminho tinha uma pedra”, sofri um acidente à caminho do nosso encontro de celebração do evento. Machuquei o rosto e o joelho (hematomas, inchaços, dores, mas nada grave) e fiquei por um tanto de tempo refletindo sobre minha fragilidade, sobre como lidar com a necessidade de ser cuidada, sobre como as pessoas lidam com uma pessoa fisicamente ferida (os olhares nas ruas para o meu olho roxo era uma mistura de dor, dúvida, preocupação…). Pensei muito em como, de alguma forma, eu atrai o que aconteceu. Acredito muito que a energia que liberamos pro universo volta para a gente de alguma maneira. Não, eu não pedi para que isso acontecesse, mas isso teve que acontecer para que eu trouxesse à luz (o tema do último post foi sobre meu lado sombra, rá!) partes obscuras de mim mesma e pudesse (re)conhecer pessoas que me acompanham nesse caminho de pedras (e de mãos estendidas).

Rodas de conversa durante o evento.

Roda de conversa durante o evento. Foto: divulgação

3) Fizeram uma leitura de aura para mim. Sinceramente, não botava muita fé nessa história. Mas foi incrível ouvir uma pessoa que nunca me viu na vida falar coisas sobre mim de forma tão acertada (e falar também coisas que ainda não entendi, mas que estão gerando muitas reflexões e movimentos dentro de mim e ao meu redor).
Recomendo muito.

Obra-prima para representar a leitura sobre meu chakra raiz.

Obra-prima para representar a leitura sobre meu chakra raiz.

E no meio desse monte de coisa me pego pensando nesse trecho da Clarice Lispector (Aprendizagem ou o livro dos prazeres) que me deixa bastante balançada:

“Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos uns aos outros. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos do que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

Entre tantas coisas acontecendo o que é, de fato, uma vitória?
O que(m), realmente, merece ser celebrada(o)?
Como reconhecer e valorizar o que(m) me faz sentir mais viva, mais amada, mais alegre, mais entregue, mais pura…?

Seguimos questionando e celebrando as vitórias de cada dia (sejam elas quais forem!),
Cla

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3 pensamentos sobre “A vitória nossa de cada dia

  1. Pingback: Ano novo, vida nova | 123 e foi!

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