Não escolher é uma escolha

De Skank: “Vou deixar, a vida me levar, pra onde ela quiser”, passando por Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu” e até Cazuza: “Vida louca vida. Vida breve. Já que eu não posso te levar. Quero que você me leve” cantam a importância de deixar-se levar, deixar-se conduzir pela vida.

A ausência de posts nos últimos dois meses (setembro e outubro) é, em partes, consequência dessa postura “deixa a vida me levar”. Então, escolhi como tema para esse post uma explicação do que acredito ser essa postura de escolher não escolher e o que ela tem implicado na minha vida.

Perguntei para a minha sobrinha: “o que pode acontecer quando tu escolhe não escolher?” Ela respondeu: “Ah, ir pra onde a vida te levar…”

Era mais ou menos o que eu pensava. Já estava, inclusive, com a minha Vida Simples de setembro à tiracolo para pegar algumas referências.

Vida-Simples-Setembro2013

A matéria fala sobre como “domar suas expectativas e dar um passo de cada vez” e eu acredito que isso é muito uma postura de escolher não escolher e esperar para ver o que a vida vai trazer: “Já pensou como nossa vida se transformaria se não planejássemos tanto? Se decidíssemos prestar atenção mais profundamente a onde ela já está indo, para então decidir se acompanhamos, ou não, o seu rumo?”, pergunta a reportagem.

E venho pensando muito nesse post, como disse antes, porque desde julho quando vivi um inferno astral que ficou na (minha) história como o mais dicotômico ever, eu estava um tanto em crise com o blog, comigo mesma, com os caminhos que venho seguindo… aquela pergunta que comentei no post de julho: “será que é isso mesmo?!” têm vindo com mais frequência e cutucando mais fundo.

E essa pergunta joga na mesa as minhas escolhas até aqui: vir pra Santos, os projetos com os quais tenho me envolvido, as pessoas com as quais tenho me envolvido, as decisões que tenho postergado…
Ahá! Ai está! As escolhas que tenho empurrado pra baixo da tapete e tentado insistir pra mim mesma: “posso decidir isso depois!”. É claro que posso escolher não ter de escollher nesse momento, mas tenho que assumir as consequências dessa postura. Se eu não escolho, tenho que aceitar o que vier… e não adianta depois ficar se culpando porque deu errado, porque não era assim que eu imaginava e todo aquele mimimi e chororô… “Acorda, guria! Tu escolheu deixar rolar, pagar pra ver (e/ou todas essas frases prontas que significam fazer nada e esperar pra ver o que acontece), agora não reclama!”.

E essa postura de deixar rolar e depois dizer: “Eu não tive culpa, eu não escolhi fazer/não fazer isso, aconteceu.” é bem comum e bem perigosa. Pois tu te isenta de responsabilidade pelo o que acontece na tua vida. Tenho tentado escapar dessa armadilha.

Escolher não escolher é, além disso, escolher focar-se no que está acontecendo agora, nas pessoas que estão à sua volta agora e no que tu pode fazer com essas pessoas agora. É mais que “aproveitar o momento”, pra mim isso parece uma ordem muito hedonista. Eu acredito que viver o momento é uma forma de desfrutar, de se deliciar com um passarinho que canta (como aquele que tá aqui na minha janela fazendo coro à ópera linda que o vizinho pôs pra tocar), com a alegria de aprender uma nova receita (tapioca!) ou de ver as flores que tu plantou desabrochando (o beijo lindo em homenagem ao Dudu), a gratidão de encerrar um ciclo com o sentimento de que deu o teu o melhor (Oasis na ABC Marbas em Cubatão)…

No agora, a vida ganha cores, cheiros, sons, toques, sabores que proporcionam inúmeras pequenas alegrias. da depressão e tristeza causadas pelo apego ao passado, podemos ir para uma intensa sensação de leveza e felicidade. Da ansiedade e angústia pelo futuro, para uma sensação de plenitude e abundância, e um sentimento reconfortante de que tudo vai dar certo. (Vida Simples – edição 135 – setembro 2013)

Eu acrescentaria: porque mesmo quando dá errado, dá certo. =)

O que sai fora do esquadro te leva pra um outro caminho que tu, talvez, nunca experimentaria se as coisas tivessem saído na medida.

Celebrando o centenário de Vinicius de Moraes (19/10/2013) termino o post com uma passagem de “Como dizia o poeta” que acho linda:

“Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai”

Seguimos juntos (deixando rolar…)
Cla

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2 pensamentos sobre “Não escolher é uma escolha

  1. Uma frase bem bacana que ouvi hoje.
    “O dar errado faz parte do caminho para o certo, sem o errado nem tem o certo, logo, primeiro tem que dar errado para depois dar certo”.

    Tenho visto varias coisas acontecerem diferentes do que imaginei, mas é bem claro os benefícios de errar mais.

    🙂

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