Só desculpas

Esses dias o Rapha me cobrou: “Sinto falta do teu blog” e lá fui eu dar a velha desculpa da falta de inspiração…
Não que seja uma desculpa falsa, de forma alguma. Mas não deixa de ser uma desculpa.

Na real, a falta de post é por tantos motivos que nem sei por onde começar. E, sim, esse vai ser o tópico do post de hoje.

Estou na Finlândia desde o dia 30 de agosto e essa tem sido uma experiência que, ao mesmo tempo, é a realização de um sonho e a realização de todos os tormentos possíveis e inimagináveis.

Quem me conhece sabe que sempre quis fazer um intercâmbio, vivenciar outra cultura, trabalhar num ambiente diferente, com perfil de pessoas diferentes. Então, aqui estou na Finlândia.
Tem um pesquisador chamado Geert Hofstede que fez um estudo sobre a cultura de um povo e definiu cinco critérios para caracterizar a cultura: distância de poder, individualismo, masculino/feminino, aversão à incerteza e orientação para longo prazo.

No primeiro, distância de poder o Brasil tem um score de 69 e a Finlândia de 33. O que é um ponto positivo pra o país gelado. Aqui todo mundo é igual, não é porque fulano é médico que tu chama de Dr. ou porque é professora que tu chama de Sra. ou porque é patrão que funcionário puxa saco. Todo mundo está no mesmo nível de poder.

No segundo, individualismo, Finlândia sobe para 63 e Brasil desce para 38. Ai está uma das minhas intrigas com o país. Gente, as pessoas não se falam, elas não fazem questão de te ajudar. Eles têm essa ideia de que cada um consegue se virar sozinho, que ninguém precisa de ninguém. E, caso precise, o governo tá ai pra ajudar. Não posso generalizar, não vou. Conheci duas finlandesas queridíssimas, que considero de verdade. Mas são elas mesmas que me falaram essa coisa de que as pessoas pensam por si e só. =(

Masculino/feminino, o terceiro tópico,  Brasil sobre de novo para 49 e Finlândia desce para 26. Nas escolas tem um monte de professor homem (ainda que nas disciplinas de matemática e educação física, principalmente), uma das professoras me disse que o marido dela cozinha melhor que ela… Enfim, aqui não tem essa frescura de mulher ficar em casa cuidando das crianças e homem trabalhando pra garantir o sustento da família.

O quarto, aversão à incerteza, é alto nos dois países. Um pouco mais no Brasil com 76 e na Finlândia 59. Esse critério demonstra que regras e leis são fundamentais pra fazer a sociedade funcionar. A diferença que vejo é: na Finlândia a galera segue as regras, no Brasil não. Mais uma vez, tô generalizando. Mas aqui, no geral, tu não vê as pessoas fazendo coisas erradas (pelo menos nas 12 horas do dia que estão sóbrias) tipo jogar lixo no chão, usar celular em ambiente proibido, sei lá, todas essas regras bobas que a gente no Brasil costuma dizer: “ah, não dá nada!”.

A orientação para longo prazo no Brasil é 65 e aqui é 41. Ele comenta do “jeitinho brasileiro”, de como estamos sempre procurando alternativas e também de como somos abertos para mais de uma verdade e para aceitar as mudanças como parte da vida.

Mas, as diferenças não param por ai. Não, é claro que não.

Porque além de estar vivendo na Finlândia e dando “aula” para adolescentes finlandeses eu moro, planejo as aulas e realizo as aulas com outros três intercambistas. E de onde eles são, Clarissa? Um designer da Estônia, um filósofo da Romênia e uma médica do Cazaquistão. Quer ver as comparações entre o Brasil e esses países? http://geert-hofstede.com/brazil.html Confere lá!
Mas te garanto que a coisa não é fácil, bebê!

Eu disse que o tópico do post seria as razões pela qual não escrevi antes, certo? Então, com tudo isso que falei ai em cima grande parte do tempo que não escrevi eu estava:

– matutando maneiras de me adaptar;

– tentando buscar energia em outras fontes já que as pessoas são um pouco apáticas e o Sol não costuma dar as caras

– buscando lugares onde conhecer pessoas daqui (encontrei um centro multicultural super massa!)

– conhecendo os museus

– reclamando pros meus amigos no Brasil que estava com saudade e sentia falta da energia transformadora deles;

– tricotando muuuuito

– assistindo toda a última temporada de Brothers and Sisters (de novo! e chorei e ri, de novo!)

Enfim, são só desculpas mesmo.

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6 pensamentos sobre “Só desculpas

  1. Mas não sai daí sem ver a Aurora Boreal… Recebi hoje teu cartão postal. Coisa bem boa! Fiquei feliz e emocionada. Houve um tempo na minha vida em que enviar e receber cartões postais era o meio mais afetivo de comunicação com os amigos distantes . Esse tua carinhosa lembrança me fez muito feliz!Bjsbjsbjs

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