Confiar no processo de aprender fazendo

Não sei exatamente quando mas chegou um momento desse longo período que fiquei sem escrever que me dei conta que já tinha perdido a conta de quantas situações vivi que poderiam ter virado um post… Os últimos dois meses e meio foram muito intensos, pus a prova muitos modelos mentais, me desapeguei de uns outros quantos… Percebi que ainda tenho muita coisa para resolver comigo mesma, mas a hora de fazer o melhor mundo acontecer é JÁ. “‘cause the world will turn if you’re ready or not” e na verdade sei que o sentimento de “preparada” quase nunca chega… e é por isso mesmo que a vida é tão divertida e desafiante, ou melhor, pode ser, se a gente deixar pra lá o medo e o controle e confiar no processo de aprender fazendo. =)

E essas são as duas principais lições que tirei do Guerreiros sem Armas, do Oásis que realizei com a Glenda em Curitiba (e mais uma porção de guerreiros e voluntários que vieram de Curitiba, SP, RS e Brasília para colocar a mão na massa com a gente), do Art of Hosting e do processo de encaminhamento do visto para meu intercâmbio na Finlândia (escrevo esse post no aeroporto de Frankfurt [29/08 às 19horas] esperando meu vôo para Helsinki).
 
APRENDER FAZENDO
Faz pouco mais de um ano e meio que conheci a Andragogia – o ensino de adultos. Ela diz que o adulto aprende para colocar em prática, para suprir uma necessidade prática e aprende muito mais e melhor quando coloca a mão na massa. Para isso, muitas vezes ao invés de falarmos sobre cooperação ou liderança, por exemplo, realizamos vivências que estimulam a pessoa a experienciar uma situação cooperativa ou de liderança.
 
O Guerreiros é exatamente assim. Nós chegamos na comunidade e os facilitadores nos passam a tarefa; como vamos realizar é uma decisão nossa (às vezes individual, às vezes coletiva, à vezes ambas). A gente aprende fazendo e mais do que aprender a fazer a gente aprende no que somos bons, no que temos dificuldades, que situações são desafiadoras…
É um exercício permanente de auto-conhecimento, auto-liderança… auto, próprio, si mesmo, parece até egoísta, mas não é. Porque o mais impressionante desse processo todo é que nesse turbilhão de desenvolvimento pessoal a gente ainda faz acontecer (junto com a comunidade, claro!) um sonho coletivo! É muito surreal!
Mas não pensa que fica tudo assim, solto… vai pra comunidade faz a tarefa do jeito que quer, aprende com isso… nananinanão! Tanto as tarefas que executamos quanto os insights que tivemos durante a execução são compartilhados em grupo e isso faz com que ainda mais fichas caiam.
Enfim, aprender fazendo quebra aquela lógica absurda que nos impõem nas escolas, em casa, no trabalho (na vida!): “não pode errar”, “errar é feio”. Se não nos permitirmos errar, não nos permitiremos tentar e dai ficamos com aquele sentimento de: “Putz, talvez se eu tivesse me arriscado teria dado certo e tal coisa teria acontecido…” Sabe aquela sequência de “se’s” infinitos?! Danem-se os “se’s”!
Tem um vídeo que eu adoro e mostra essa coisa do se arriscar…  http://www.youtube.com/watch?v=DlnX3BKwxyg 
Várias vezes durante o processo do Guerreiros eu repeti pra mim mesma: “Eu tô aqui pelo sim!” e o sim, implica se arriscar, tentar, errar, aprender… 
 
Junto com o aprender fazendo veio duas conclusões bastante significativas pra mim:
 
1) Preciso, de uma vez por todas, assumir a RESPONSABILIDADE por mim mesma e pelo rumo que dou à minha vida.
2) Quando faço algo que não é genuíno, ou seja, não é uma expressão autêntica do que eu realmente sinto ou penso, essa atitude não me faz bem. Sempre lembro do Rodrigo (facilitador no GSA) falando: “Se tu não consegue ver nada que tu consiga apreciar naquela pessoa, não tente criar uma relação com ela.” Eu não segui o conselho e me dei mal, mas aprendi muito com a tentativa.
 
CONFIAR NO PROCESSO
Para exemplificar esse aprendizado trago as palavras de um convidado muito especial: Gabriel Caires.
Conheci ele durante o Guerreiros, o Gabriel participou de um programa chamado Elos Novos Líderes que acontece dentro do Guerreiros e é voltado para líderes ou futuros líderes de empresas. O Gabriel foi para a mesma comunidade que eu, mas não trocamos muita ideia, além do convite-convocação que fiz a ele para que participasse do mão na massa do Oásis Curitiba que seria nos dias 11 e 12 de agosto. Vou deixar ele mesmo contar o resto da história, só encerro minha parte dizendo que fiz um amigo com quem contar (mesmo!) para o resto da vida. =)
É contigo Gabriel:
Muita honra fazer parte do post da guria que admiro e que fez com que eu tivesse as melhores e mais surpreendentes férias que ja tive.
Durante a minha participação no programa Novos Líderes, existiram vários momentos marcantes, um dos primeiro e mais impactantes  foi ver o “fazer acontecer” sem precisar de nada ou ninguém por trás.
Esse episódio foi protagonizado pela guria ai de cima :).
Em um determinado momento do Oásis que acontecia aqui em Santos, era necessário dinheiro para a compra de alguns recursos que não eram tão faceis de se conseguir no ambiente, essa guria em uma atitude espetacular assumiu a responsabilidade com toda a calma do mundo e saiu da sala que estávamos, duas horas depois ela volta… com uma garrafa pet cheia de dinheiro e uma folha de cartolina, com vários números riscados. Depois do choque inicial entendi o que ela fez… assim que saiu, procurou dentro da própria comunidade algum prêmio e, com o auxílio de um morador, andou a comunidade toda vendendo uma rifa e como essa guria tem um sorriso impossível de dizer não, foi altamente efetiva nisso.
Quando fui convidado/convocado para participar do Oásis em Curitiba, na hora fiquei animado, mas depois lembrei que na data eu já estava com passagem comprada para visitar outra cidade, Foz do Iguaçu, por acaso no mesmo estado do Oasis. Cheguei a avisar que seria difícil ir… mas me conhecendo eu no fundo sabia que não era a resposta mais segura falar isso.
Em Foz, procurei conhecer todos os lugares, sendo bem turista mesmo, porém, mesmo vendo lugares lindos e com ótimas companhias, todos os dias pensavam… “por quê não ir lá”, mesmo sem conhecer ninguém, sem saber se seria bem recebido ou se ajudaria de alguma forma… por mais que eu pensasse em barreiras como normalmente fazemos para tudo quando pensamos em arriscar, a certeza que eu tinha que era para estar lá era tão grande que não tive como dizer não. Praticando o total desapego, joguei fora a passagem de volta para casa, cliquei em “Aceito” no evento criado no Face e no dia seguinte estava lá em Curitiba!
Chegando à cidade, de início ainda fiquei com receio de atrapalhar e também um pouco por timidez, acabei optando por ficar os dois primeiros dias um hostel. Logo nas primeiras duas horas no Hostel, fui recompensando com um hóspede que acabou me convidando para ir em um encontro de uma das coisas que eu mais gostaria de conhecer e ver funcionando pessoalmente, o Couch Surfing. Lá conheci pessoas muito legais e já pensei em novas formas de viajar e conhecer esse nosso mundão velho, porém cheio de surpresas!
Passei mais um dia no hostel, e na terceira manhã, conheci a moradia na qual nos próximos 12 dias eu chamaria de “lar” como poucos lugares eu já chamei, a casa da Glenda, grande amiga da Clarissa. Além disso, foi o primeiro dia que eu “ajudei” no Oásis, acompanhei a Clá o dia todo em busca de recursos para o Oásis. Infelizmente, por timidez, não fui muito útil como mobilizador, mas de qualquer forma foi um dia muito bom, pois pude conhecer e terminar de ter a certeza de quem era a pessoa que me convidou e que definitivamente eu não estava em uma roubada rs.
A parti dai foi tudo ladeira a baixo, no melhor sentido possível, fui escalado para ser fotografo do Oásis, e nesse papel, tive a grande oportunidade de observar tudo, o que é um prazer para um tímido mega curioso que sou… e aquela experiência que tive no Oásis em Santos, de sentir o quanto não precisamos de nada para fazer as coisas acontecerem, foi muito amplificada, pois muitas pessoas, vendo os voluntários trabalhando e mobilizando pessoas perguntavam: “De onde vocês são? Governo? Empresa privada? ONG?”, e era um tremendo prazer responder, “De lugar nenhum, somos só os amigos das duas pessoas que estão organizando tudo.”. Era incrível ver o quanto as pessoas ficavam chocadas com isso, após repetir isso algumas vezes, comecei até a refletir sobre, afinal, por quê será que temos a necessidade tão grande de ter uma empresa/ONG/governo por trás do que fazemos, sendo que todas na realidade não passam de um pedaço de papel assiando, dizendo que, as pessoas que estão trabalhando fazem o que amam e que, em caso de problemas, os responsáveis são as pessoa X e Y. O resto todo, são apenas pessoas, com suas caracteristas. Por quê diabos temos que esperar uma ordem, alguém ou alguma coisa acontecer para queremos a mudança… mesmo sair do próprio emprego, sendo que as vezes o desafio está em se reinventar no seu ambiente.
Esse pensamento se reflete em vários outros aspectos da vida, como política na política quando esperamos que os politicos resolvam nossos problemas, no trabalho quando esperamos que nossos chefes nos digam o que fazer, no amor, quando esperamos ouvir um “eu te amo” sem querer dizer um sequer “gosto de você”. Não é nada fácil assumir responsabilidade por coisas, eu mesmo estou começando a aprender agora, ainda erro, mas estou dando passos.
Bom…. mas como eu disse, essas férias foram as mais supreendentes da minha vida… isso significa que a história ainda não acabou 🙂
Quando fui participar do Oásis em Curitiba, previ que ficaria iria voltar para São Paulo no dia seguinte do término da ação, porém fiquei sabendo de um curso chamado Art of Hosting, e rapidamente me encantei com a idéia do curso, que é apreender a anfitriar pessoas em discuções, para que elas gerem os melhores resultados possíveis em um processo de decisão comunitária… Acabei jogando novamente fora a passagem de volta para casa, com toda a cara de pau do mundo fiquei mais alguns dias na casa da Glenda, vamo que vamo!
No curso tive mais uma nova jornada… o assunto que mais me tocou foi o da teoria Caórdica, que defende que só existe crescimento quando estamos em situação de perigo/caos, coisa que acredito muito, muito do que temos hoje só existe devido a alguém precisar muito que as coisas fossem diferentes… Lá também comecei a me enxergar melhor o meu estado atual… do quanto, na época, eu estava ligado a modelos mentais… o quanto eu não era assim tão aberto quanto imaginei e principalmente o quanto eu me colocava barreiras. Pessoalmente sempre acreditei que sabia me auto-avaliar muito bem… acabou que percebi o quanto eu não sabia… muitos dias depois de ter retornado para Santos que fui começar a entender o quanto não estava fazendo isso bem, mas tudo bem, faz parte.
Durante o curso também rolaram coisas bem engraçadas, mas o auge foi os guerreiros organizando um mini “curso” de dancas circulares, até então jamais ousaria dançar, sei muito bem que as minhas pernas não são o meu forte, mas meu… depois de tudo isso, não me permitir tentar seria rídiculo! E lá fui eu, obviamente fui péssimo, alguém me “zuou” muito até :p. O auge foi uma senhora me falar que eu precisava melhorar muito por quê realmente estava difícil ahuuhauah. Apesar da qualidade dúvidosa da dança, foi bem duvertido :).
Resumindo a história, quando eu desisti de ter o controle … ou melhor… quando eu simplesmente ignorei todas as barrerias que eu mesmo me coloquei, fui absolutamente surpreendido com lições que seguramente estão provocando mudanças na minha vida de forma extremamente intensa e me faz cada vez me perguntar o quanto me coloco e já me coloquei barreiras por simplesmente achar que é o caminho mais seguro, ou que não vou ter chance… ou que é impossível. É triste perceber o quanto as coisas poderiam ser diferentes se deixamos de nos prender tanto, de temer que expectativas serão antedidas, de ousar acreditar que é sim possível e “pior”, muito mais simples do que parece, da mesma forma que se provoca uma transformação social em uma comunidade simplesmente perguntando, “qual é o seu sonho?” e na sequencia dizendo “Vamos fazer?”
PS: Além de todas as reflexões, durante todo o processo ganhei vários amigos, entre as mais especias está a guria que vos fala, que é praticamente minha irmã de pensamentos e que tenho maior orgulho de poder acompanhar um trechinho da sua jornada. Até mais 🙂
Olha o Gabriel ai na foto (o que não está de óculos – o que usa óculos é o Felipe Denz de Porto Alegre – Guerreiro sem Armas junto comigo e com a Glenda) no Art of Hosting!
Anúncios

Um pensamento sobre “Confiar no processo de aprender fazendo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s