Consideração Positiva Incondicional – Aceite!

Eu tenho alguns rituais que tenho repetido inconscientemente e acho super divertidos!

Um deles é me presentear com algum livro quando conquisto algo bacana.
No início do ano passei algumas semanas procurando um novo lugar para morar, foi bem cansativo rodar vários bairros da cidade a pé e de ônibus em busco de um novo lar (só não foi pior porque eu tinha uma companhia divertida pros banhos de chuva e tardes escaldantes!).
No sábado que batemos o martelo sobre nosso apartamento comprei um livro: Desenvolvimento Interpessoal da Fela Moscovici. Uma indicação de uma amiga que há muito tempo eu queria comprar. Foi meu presente pra mim mesma por causa da casa nova.

Na última sexta-feira fui resolver uma pendência no trabalho que era beeeem importante:  mandei consertar o caro que eu bati. Saindo da oficina passei por um sebo. Eu não resisto a sebos, é meu ponto fraco, admito!

Entrei lá e fiquei fuçando os livros, psicologia, sociologia, negócios, literatura… sem um foco especial. Mas como ando bem inclinada a um mestrado na área de psicologia me foquei na fileira dedicada a esses bonitos.

Foi então que encontrei “Psicoterapia e Relações Humanas” do Carl Rogers e Marian Kinget. Na hora o olho brilhou e pensei comigo: “Não procura desculpa, compra logo!” Não larguei mais, fui até o ponto do ônibus lendo, fui no caminho do ônibus lendo e só não continuei lendo em casa porque tinha minhas visitas especiais aqui em casa: minha mãe,  minha irmã e minha sobrinha.

Passamos o feriados (de quinta à domingo) juntas aqui nessa chuvooooosa Curitiba.
E tentei pôr em prática uma atitude que o Carl Rogers considera fundamental para qualquer facilitador (e para qualquer pessoa conseguir ter boas relações interpessoais em um sentido mais amplo): a consideração positiva incondicional – que se trata, acima de tudo, de aceitar a pessoa como ela é, sem juízo moral e de valores, significa compreender a pessoa como um ser completo.

Fazer isso enquanto facilitadora nos grupos onde atuo já é um desafio enorme, mas quando se trata de aceitar incondicionalmente as pessoas da minha família o desafio se torna quase um Everest!

Em vários momentos desse feriado prolongado me peguei recriminando minha irmã e minha mãe por alguma atitude, alguma fala… sem aceitá-las, sem ver o todo, tentando impôr minha opinião.
Por mais que eu dissesse o tempo todo: “O que vocês preferem? O que é melhor pra vocês?” em outros momentos eu fazia coisas como deixar minha mãe mais para trás no grupo porque ela estava fumando! Okai, eu detesto cigarro. Mas não faço isso com meus amigos, por que fiz com a minha mãe?

Talvez porque seja tão difícil ver uma pessoa que tu ama tanto fazendo algo que vai contra o que tu acredita. Mas ela é ela e eu sou eu, estar junto dela enquanto ela faz algo que a deixa bem, mas eu não gosto, não significa que eu deixo de ter a minha opinião sobre aquilo. Mas significa que eu aceito ela por ela ser quem ela é e não como eu gostaria que ela fosse!

Difícil, não?
Vivo nesse embate interno. Especialmente quando se trata das pessoas que mais convivo e amo.
Como minha terapeuta me fez repetir várias vezes: “é uma escolha dela” (outro fato que não tem a ver com o cigarro, nem com a minha mãe) – ou eu aceito isso ou fico tentando mudar o outro, sem conseguir ter uma boa relação com a pessoa.

O que eu escolho?
Mudar as minhas escolhas e não a do outro.
Aceitar as minhas escolhas e as dos outros e tudo que vêm como consequência disso.

Tem uma frase de “The Scientist” que eu acho ótima: “Nobody said it was easy, no one never said it would be this hard”.
Difícil ou fácil eu escolho ACEITAR!

E tu?

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